terça-feira, maio 27, 2008

Caso Lucas Terra: Bispo da Universal será acareado nesta terça

João Alvarez
Agência A Tarde

Advogado de defesa diz que prisão de bispo seria irregular

George Brito e Marjorie Moura, do A TARDE
Uma quarta pessoa pode ter participado do assassinato do garoto Lucas Terra, em 2001, segundo Carlos Terra, pai da vítima. A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 26, à tarde, logo após o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) Fernando Aparecido da Silva, um dos acusados do crime, ter se recusado a comparecer à apresentação à imprensa. Na audiência de acareação que acontece nesta terça-feira, às 9 horas, na 2ª Vara de Júri, do Fórum Ruy Barbosa, há a expectativa de que os interrogados forneçam mais detalhes do crime e confirmem esta possibilidade.

O bispo Aparecido está preso desde o último sábado na Polinter. Foi detido na última sexta-feira, no Recife (PE), por agentes do Centro de Operações Especiais (COE), sob comando do delegado Hélio Jorge. Carlos Terra diz estar decepcionado com a recusa do bispo em não prestar esclarecimentos à imprensa.

Mas, segundo o pai da vítima, no novo depoimento o pastor Sílvio Galiza relatou em depoimento à Justiça que haveria mais uma pessoa envolvida no crime, além de Fernando Aparecido da Silva e o pastor acusado Joel Miranda.

Recusa – O delegado-chefe da Polícia Civil da Bahia, Joselito Bispo, explicou que a recusa é um direito garantido pela Constituição Federal. “É uma questão de foro íntimo”, disse. Segundo ele, estão em andamento as buscas pelo pastor Joel Miranda. Na semana passada, agentes do COE estiveram no Rio investigando o paradeiro do acusado. Policiais daquele Estado seguem com as buscas. O pastor reside em Cabo Frio (RJ), segundo a polícia.

Carlos Terra, mais uma vez vestido de preto, tentou nesta segunda audiência com a presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargadora Sílvia Zarif, para evitar a concessão do habeas corpus. Ele esteve também na Polinter, onde encontrou o advogado de defesa Mário de Oliveira Filho, que permaneceu mais de uma hora com o cliente.

Defesa – O bispo Fernando Aparecido e o pastor Joel Miranda tiveram prisão preventiva decretada dia 22, pelo juiz Vilebaldo Freitas, por não comparecerem às três audiências de acareação, sob alegação de não terem dinheiro para viajar até Salvador. Segundo o advogado Mário de Oliveira Filho, a prisão é irregular, pois os acusados não foram citados e, portanto, não estão incluídos no processo.

O advogado afirmou que, pelo fato de residirem numa comarca diferente de onde tramita o processo, os acusados têm o direito de ser interrogados por carta precatória. Ambos foram representados por ele, frisou, nas audiências em Salvador. Ele alegou que a acareação estava marcada para esta terça e que os acusados haviam comprado passagens aéreas e feito reservas num hotel, cujo nome não soube informar.

O advogado disse que o pedido de prisão pedido pelo MP foi baseado nas acusações de Galiza, assim como a decretação da prisão. Disse ainda que o pedido de habeas corpus será distribuído nesta terça no TJ Bahia e, se necessário, será feito recurso ao Superior Tribunal de Justiça. (26.05.2008)